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Este blog foi criado para melhor interação com meus alunos do Ensino Médio, facilitando a comunicação, troca de infromações e conteúdos. Espero que seja útil a todos que se interessam pelos temas abordados.
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domingo, 23 de outubro de 2011


Globalização cultural: imperialismo ou diversidade?

 

 “O impacto cultural da globalização foi alvo de muita atenção. Imagens, ideias, produtos e estilos disseminam-se hoje em dia pelo mundo inteiro de uma forma muito mais rápida. O comércio, as novas tecnologias de informação, os meios de comunicação internacionais e a migração global fomentaram um fluxo sem restrições de cultura que transpõe as fronteiras das diversas nações. Muitas pessoas defendem que vivemos hoje numa única ordem de informação – uma gigantesca rede mundial, onde a informação é partilhada rapidamente e em grande quantidade. (…)
Segundo estimativas, centenas de milhões de pessoas do mundo inteiro assistiram ao filme Titanic, em salas de cinema ou em vídeo. Estreado em 1997, o Titanic conta a história de um jovem casal que se apaixona a bordo do fatídico navio transoceânico, e é um dos filmes mais populares de sempre. O Titanic quebrou todos os recordes de bilheteira, acumulando mais de 1,8 mil milhões de dólares de receitas provenientes de salas de cinema em cinquenta e cinco países diferentes. Quando da estréia do filme, formaram-se em muitos países filas de centenas de pessoas para comprar bilhete, e as sessões estavam permanentemente esgotadas (…)
O filme é um dos muitos produtos culturais que conseguiu quebrar as fronteiras nacionais e dar origem a um fenômeno de verdadeiras proporções internacionais. (…)
Uma razão que explica o sucesso de Titanic é o fato de o filme refletir um conjunto particular de ideias e valores com que as assistências pelo mundo fora conseguiam identificar-se. Uma das temáticas centrais do filme é a da possibilidade do amor romântico vencer as diferenças de classe social e as tradições familiares. Embora este ideal seja de uma forma geral, aceite na maior parte dos países ocidentais, ainda não prevalece em muitas outras regiões do mundo. O sucesso de uma película como o Titanic reflete a mudança de atitudes em relação a relacionamentos pessoais e casamentos, por exemplo, em partes do mundo onde os valores mais tradicionais têm prevalecido. No entanto, pode dizer-se que o Titanic, tal como muitos outros filmes ocidentais, contribuem para essa mudança de valores. Os filmes e programas de televisão produzidos no Ocidente, que dominam as mídias mundiais, tendem a avançar uma série de agendas políticas, sociais e econômicas que refletem uma visão do mundo especificamente ocidental. Alguns se preocupam com o fato da globalização estar a conduzir à criação de uma ‘cultura global’, em que os valores dos mais ricos e poderosos – neste caso, os estúdios de cinema de Hollywood – se sobrepõem à força dos hábitos e das tradições locais. De acordo com esta perspectiva, a globalização é uma forma de ‘imperialismo cultural’, em que os valores, os estilos e as perspectivas ocidentais são divulgados de um modo tão agressivo que suprimem as outras culturas nacionais.
Outros autores, pelo contrário, associaram os processos de globalização a uma crescente diferenciação no que diz respeito a formas e tradições culturais. Ao contrário dos que insistem no argumento da homogeneização cultural, estes autores afirmam que a sociedade global se caracteriza atualmente pela coexistência lado a lado de uma enorme diversidade de culturas. Às tradições locais, junta-se um conjunto de formas culturais adicionais provenientes do estrangeiro, presenteando as pessoas com um leque estonteante de opções de escolha de estilos de vida. Estaremos a assistir à fragmentação de formas culturais, e não à formação de uma cultura mundial unificada. As antigas identidades e modos de vida enraizados em culturas e em comunidades locais estão a dar lugar a novas formas de ‘identidade híbrida’, composta por elementos de diferentes origens culturais. Deste modo, um cidadão negro e urbano da África do Sul atual pode permanecer fortemente influenciado pelas tradições e perspectivas culturais das suas raízes tribais, mas simultaneamente adotar um gosto e um estilo de vida cosmopolitas – na roupa, no lazer, nos tempos livres, etc. – que resultam da globalização.”
(Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 64-65.)

Atividades
1. Descreva em poucas palavras a globalização cultural.
2. Dê exemplos ilustrativos da globalização cultural diferentes dos exemplos dados pelo autor.
3. Relacione a globalização cultural com a aculturação.
4. Relacione a distinção entre aculturação por assimilação e aculturação por destruição com a divergência entre os autores que defendem que a globalização cultural leva à homogeneização cultural e os autores que defendem que leva à diferenciação cultural.
5. Na sua opinião, quem tem razão nessa divergência. Porquê?

sábado, 22 de outubro de 2011

 

Atividade sobre A QUESTÃO DA DIVERSIDADE E DO DIREITO A DIFERENÇA


I. O ETNOCENTRISMO:

Dá-se o nome de etnocentrismo a atitudes de grupos humanos de supervalorizar seus próprios valores, sua própria cultura. O fenômeno do etnocentrismo manifesta-se de várias formas. Podemo-lo sentir quando as pessoas ridicularizam costumes e hábitos de povos diferentes. O brasileiro comum censura, por certo, a consagração da vaca na Índia e estranhará a indumentária escocesa masculino, parecida com um saiote. Nota-se portanto que o etnocentrismo denota um certo orgulho pela superioridade e credibilidade da própria cultura. é verdade que as pessoas não percebem que seus juízos ou julgamentos são preconceituosos em função da unilateralidade de sua atitude.

II. O RELATIVISMO:

Nesta analise devemos superar o discurso etnocêntrico, percebendo que o ser humano apresenta diferenças étnicas e culturais e aprendendo a conviver com essas diferenças dentro dos critérios da normalidade. Conviver com as diferenças é aceitar o outro como o outro é em sua essência, é não mensurar ou hierarquizar as realidades culturais e sim percebê-las como sendo fruto de uma dada realidade histórica instituída, e portanto, independentes e autônomas. As diferenças culturais compõem o painel humano em escala global, somos diferentes em nossas verdades, em nossos meios técnicos, em nossa religiosidade, em nossas instituições e principalmente em nosso cotidiano. E precisamos identificar a diferença cultural como algo salutar e não como diferenças que expressam a superioridade de alguns em detrimento de outros. Senão, o que seria do mundo se fossemos todos iguais? Na luta acadêmica contra o discurso etnocêntrico, foi cunhado o conceito de relativização, ou seja, o ser humano deve relativizar as diferença culturais e identificá-la enquanto dentro de uma realidade específica, própria. Aceitando portanto as culturas como sendo diferentes, o máximo complexas e simplificadas, mas nunca melhor ou pior, desenvolvida ou atrasada..

EXERCÍCIOS

01. (J.Rendeiro) O ser humano carrega as diferenças culturais como marcas de sua realidade, e acabam com isso, cirando um mensuração de suas verdades em relação à realidade daqueles povos que são diferentes.Sobre o assunto responda:

a) O ser humano naturalmente aceita as diferenças culturais, convivendo em harmonia com seu semelhante.
b) Os indivíduos dentro do corpo social tendem naturalmente a transgredir a realidade estabelecida e perceber o outro dentro do seu contexto histórico.
c) O ser humano tende a supervalorizar a sua realidade em detrimento de outras culturas diferentes
d) A humanidade já apresentou em um passado distante vários conflitos de origem cultural, étnica, fenômeno já superado no mundo atual.
e) A sociedade em todo a sua formação cultural consegue mesclar realidades étnicas distintas e a partir daí adaptá-las respeitando as distinções.

02. (J.Rendeiro) Sobre o etnocentrismo é correto afirmar:

a) É a supervalorização da cultura do outro em detrimento da sua realidade.
b) É a natural aceitação da cultura do estrangeiro e a total reformulação da sua cultura.
c) É a possibilidade do indivíduo de perder sua identidade étnica.
d) São as circunstâncias históricas que determinam a realidade cultural de um indivíduo.
e) É a supervalorização da cultura de um determinado grupo social em detrimento de outros.

03. (J.Rendeiro) Leia as afirmativas abaixo e marque a
alternativa correta:

I. O etnocentrismo é a necessidade do ser humano de adaptar sua realidade histórico-cultural aos padrões culturais em escala global.
II. O ser humano tradicionalmente, percebe o mundo como apresentando uma raça única, a raça humana e portanto aprendeu ao longo do processo histórico a aceitar as diferenças.
III. O discurso etnocentrico, transforma-se numa base direta para a ideologia racista.
IV. No discurso etnocêntrico existe uma freqüente supervalorização do padrão cultural de um determinado grupo em relação aos demais.

Estão corretas:
a) I e II          b) I e III     c) II e III     d) III e IV       e) Apenas a IV

04. (UFU) O discurso relativista, vem paulatinamente substituindo o discurso etnocêntrico, mas ainda precisa de uma grande consolidação. Mesmo assim, a Antropologia, ramo das Ciências Sociais, vêm dando claros sinais da sua utilização. Sobre o relativismo não podemos afirmar:

a) Busca compreender a cultura do outro, a partir da realidade histórica e cultural dos diferentes povos.
b) É o discurso que interpreta as diferenças culturais como sendo algo da natureza humana.
c) É a tentativa de identificar em uma cultura, as qualidades específicas que não existem em outras.
d) Na analise relativista o homem é visto como único em sua essência, e diferente em suas etnias.
e) O homem no relativsimo é compreendido a partir de suas diferenças e interpretado nesse contexto como alguém que é diferente.

05. (J.Rendeiro) Na definição do relativismo é correto afirmar:

a) O ser humano busca compreender suas diferenças a partir de culturas distintas, mensurado suas realidades.
b) A sociedade tende a aceitar o discurso que hierarquiza as realidades historicamente construídas.
c) É a interpretação de uma dada realidade a partir de seu próprio contexto, respeitando as diferenças existentes.
d) È a possibilidade do ser humano buscar uma integração de valores, criando um padrão cultural único.
e) Ocorre quando os indivíduos conseguem orientar suas ações tendo como mote suas realidades particulares.