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Este blog foi criado para melhor interação com meus alunos do Ensino Médio, facilitando a comunicação, troca de infromações e conteúdos. Espero que seja útil a todos que se interessam pelos temas abordados.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

O processo de desnaturalização ou estranhamento da realidade

A primeira pergunta que surge na disciplina de Sociologia para o 1º ano é: O que é a Sociologia? A sociologia é a ciência que estuda a sociedade os fenômenos sociais. Para entendermos melhor o que a Sociologia vai se propor a ensinar, devemos olhar de forma mais ampla onde ela vai se enquandrar. O nome Sociologia não expressa a amplitude da disciplina no Ensino Médio, mas sim o nome Ciências Sociais, que abrange, além da Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política.

A sociologia tem cerca de 2 séculos, idealizada por filósofos, como Augusto Comte, que queriam estruturar uma ciência que pudesse dar explicação sobre fenômenos que estes acreditavam não mais serem possíveis sere dados pela filosofia. Assim, ela vem se aperfeiçoando desde então, com nomes famosos como Émile Durkheim, Max Weber, Karl Marx, os famosos “Três Porquinhos”.

Este é um pequeno momento histórico da Sociologia no país:

  • A sociologia como disciplina surge no Brasil em 1925, introduzida na Reforma Rocha Vaz. Então, assim como disciplina do Ensino Secundário, ela também passa a ser cobrada nos vestibulares da época. Entretanto, Rui Barbosa defendia a colocação da disciplina desde 1882, quando já era muito relevante no ensino em países europeus;
  • Em 1942, Getúlio Vargas, na época ditador no país, torna a disciplina optativa. A disciplina se mantém no Curso Normal como Sociologia Geral e Sociologia da Educação;
  • No ano de 1971, na época da Ditadura, a disciplina, ainda optativa, era mal-vista por ser entendida como associada ao comunismo – a ideologia política a qual os militares afirmavam que deveriam impedir que se alastrasse no Brasil quando tomaram o poder em 1964.

Nas ultimas 3 décadas, com o enfraquecimento da ditadura, os sociológos se voltaram para a necessidade de novamente implementar este campo do conhecimento na educação dos jovens no país. Entretanto, houve um impasse de todas as maneiras. Assim, desde a implementação da lei que inseria novamente a sociologia no Ensino Médio até a sua implementação no estado de São Paulo, foram 5 anos. Assim, o ano de 2010 é o segundo ano onde a sociologia se mostra como uma nova ferramenta na formação intelectual, politica e social dos jovens paulistas.

Um aspecto interessante, e possivelmente o mais importante desta disciplina, é a ferramenta de trabalho dos cientistas sociais: o olhar desnaturalizado em detrimento do senso comum. Muitas das idéias que se difundem do nosso dia-a-dia são condicionadas com idéias absurdas que não ajudam a entender fenômenos e nem problemas sociais/políticos/culturais. Assim, quando olhamos para uma determinada situação sob uma ótica crítica, possibilitamos entender suas nuances e mudarmos caso esta se mostre perniciosa.



Imediatismo do olhar

Para todas as coisas que temos contato, desde as mais comuns quanto as mais imprevisíveis, tentamos encontrar uma explicação. Assim, baseados no cabedal que acumulamos durante a vida, damos respostas as nossas indagações. Existe algum problema nisso? Depende. Na maioria dos casos, sim. Aquilo que chamamos de olhar científico possibilita uma nova ferramenta para se avaliar todas as coisas que nos rodeiam, mesmo sabendo que todos nós, sem exceção, estamos carregados de senso comum. Essa ferramenta tem uma base puramente racional, e, como tal, procura se distanciar ao máximo de todas as possíveis idéias preconcebidas de quem está trabalhando com ela. É um trabalho moroso, mas recompesador, uma vez que possibilita, dentre outras coisas, derrubar dogmas e preconceitos nocivos.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, não entendiam quam eram aqueles serem nus, sem maldade no olhar, nem as árvores, os frutos, os animais. Assim, nas primeiras cartas, os navegantes tentavam explicar toda a riqueza da “Terra de Santa Cruz”: O que era uma manga, jabuticaba ou babaçu? Como descrever algo que além-mar ninguém nunca viu. Tentaram resolver esse problema comparando com aquilo que já haviam visto, seja com animais, com plantas. Neste mesmo caso, animais fantásticos, como o unicórnio, pode ter sido apenas um erro e ignorância: Alguns creem que pode ter sido apenas um cervo com alguma alteração genética. E como “quem conta um conto, aumenta um ponto”, todas as características místicas podem ter surgido através de boatos.

Tudo isso está respaldado naquele tal cabedal, o qual chamados de senso comum. As bases do senso comum seriam:

Imediatismo: o senso comum se caracteriza muitas vezes por ser simplista, ou seja, muitas vezes não e fruto de uma reflexão mais cuidadosa. Não se preocupa em definir nada muito bem, não tem, portanto, preocupação com a terminologia (ou seja, o significado das palavras) que emprega.

Superficialidade: a superficialidade dessa forma de conhecimento está relacionada com o fato de que ele se conforma com a aparência, “com aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto das coisas: ‘porque vi’, ‘porque senti’, ‘porque disseram’, ‘porque todo mundo diz’.” (ANDER-EGG apud MARCONI e LAKATOS, 2003, p. 77)

Acriticidade: outra característica é o fato do senso comum ser, muitas vezes, uma forma de conhecimento que não aprofunda sobre que se vê, não avaliando, criticando ou questionando o que é dito.

Sentimentalismo: muitas vezes nossa visão da realidade é excessivamente marcada pelas nossas emoções normalmente tiram a objetividade da pessoa, pois são pessoais e não estão baseadas na razão. Elas podem fazer com que ajamos de forma irracional.

Preconceito: o senso comum é muitas vezes repleto de preconceitos. O preconceito é atitude de achar que já sabe, sem conhecer algo de verdade, pois usa explicações prontas que estão repletas de juízos de valor. Portanto, a atitude preconceituosa com relação à realidade e a tudo o que a cerca é aquela da pessoa que julga sem conhecer, com base no que acredita que é ou no que deva ser.
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Monogamia e poligamia

 

Casamento Antigo MilosHarem poligamia poliginia
Nas sociedades ocidentais, o casamento e, por conseguinte, a família, está associado à monogamia. É ilegal que um homem ou uma mulher sejam casados com mais de um indivíduo simultaneamente. Contudo, esta situação não se verifica a nível mundial.
Numa famosa comparação, que envolvia várias centenas de sociedades em meados do século XIX, George Murdock descobriu que a poligamia – que permitia que um homem ou uma mulher tivessem mais de um cônjuge - era permitida em mais de 80 por cento delas.
Existem dois tipos de poligamia: a poliginia, na qual um homem pode ser casado com mais de uma mulher ao mesmo tempo; e a poliandria, muito menos comum, na qual uma mulher pode ter simultaneamente dois ou mais maridos.
 
Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 175.

 


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dicas para se comportar em redes sociais

 



7 recomendações para construir uma imagem positiva na internet e atrair os recrutadores.
Por Rômulo MartinsPor Rômulo Martins
 
Já se imaginava, mas agora é certo. Os recrutadores olham sim o perfil online dos profissionais que buscam emprego. E é bom tomar cuidado. Pesquisa realizada pela Robert Half, empresa de recrutamento especializado, revelou que segundo 44% dos recrutadores brasileiros aspectos negativos nas redes sociais seriam suficientes para desclassificar um candidato no processo de seleção.
“O entrevistador não se pauta por algo isolado, mas une diversas informações a respeito do candidato. A rede é um espaço público”, lembra Marisa Silva, consultora da Career Center. Ao Empregos.com.br a consultora elencou sete pontos fundamentais para você construir uma imagem positiva no ambiente digital e chamar a atenção dos recrutadores. Confira.
 
1. Em redes profissionais, fale de assuntos profissionais
Se você possui conta em uma rede social voltada a profissionais, como o Linkedin, o relacionamento entre os contatos deve ser pautado pela formalidade. “Não fale de sua vida pessoal”, dispara Marisa. Nesse caso, até a imagem de perfil deve ser adequada ao formato da rede.
2. Coloque fotos ‘saudáveis’
As imagens publicadas nos perfis podem revelar hábitos saudáveis ou reprováveis. Segundo Marisa, é interessante publicar fotos de viagens, festas ou de momentos com a família. Mas evite imagens de cunho jocoso, como fotografias de poses sensuais. Pega mal.
3. Ao abordar o ‘amigo’ tenha bom senso
Apresente-se antes de enviar convites para se conectar com outras pessoas. É de bom tom explicar de onde conhece o contato ou quem o indicou. Jamais peça emprego. Aproveite o espaço para trocar informações sobre sua carreira e o mercado de trabalho.
4. Dê opiniões construtivas
Interaja e posicione-se sobre os temas discutidos entre os seus contatos, propondo sugestões para a problemática. Mas evite participar de grupos polêmicos, que aludam à discriminação ou violência. “É preciso tomar cuidado com opiniões muito radicais”, sinaliza a consultora Marisa Silva.
5. Preserve-se
Não precisa falar sobre todos os seus passos nas redes sociais. Ficar a todo o momento no Twitter, Orkut ou Facebook descrevendo a sua rotina é desinteressante e pouco criativo. Se isso for inevitável para você, selecione o nível de privacidade desejado em seu perfil.
6. Crie a sua identidade online
Fale de coisas que interessem a você e possam interessar aos outros. Isso aumenta as chances de interação entre os contatos e proporciona a troca de informações. “Se você gosta de vinho divulgue notícias sobre vinhos. Essa postura poderá influenciar as pessoas positivamente”, sublinha Marisa.
7. Não fale mal de pessoas ou empresas
Falar mal do ex-chefe, colega de trabalho ou das empresas nas quais atuou é pecado mortal. Muito provavelmente mina a sua continuidade em um processo seletivo – caso o recrutador flagre essa conduta. Além disso, é uma atitude antiética. O melhor a fazer é ceder à tentação.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aula de campo - 1003

Hoje, 31/10, tivemos uma experiência muito bacana.

Eu e o professor Ruy (filosofia) levamos a turma 1003 - Escola Matias Neto - para uma aula de campo sobre Socialização, na Praça Veríssimo de Melo - Macaé. Lá também participamos do Projeto Cultural Heterogênese Urbana, com música e explanação sobre ética, consumismo, convivência, etc..

Para conhecer melhor o projeto acesse: http://heterogeneseurbana.org/

Veja fotos:






domingo, 9 de setembro de 2012

A Sociologia em Max Weber

Galera do 1º ano ...resumo sobre Max Weber.
Para visualizar clique duas vezes na imagem


A Sociologia em Karl Marx

Olá pessoal...
Segue um resumo sobre a sociologia em Karl Marx para auxiliá-los em seus estudos. Para visualizar em tamanho normal clique duas vezes na imagem. Bons estudos!
 
 


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

INSTITUIÇÕES SOCIAIS


 

O que são instituições?
Instituição social é o conjunto de regras e procedimento padronizados, reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade e que têm grande valor social. São os modos de pensar, de sentir e de agir que a pessoa encontra preestabilidade e cuja mudança se faz muito lentamente, com dificuldade.
As principais instituições sociais são: a instituição familial, a instituição educativa, a instituição religiosa, a instituição jurídica, a instituição econômica e a instituição política.

A família
A família é o primeiro grupo social a que pertencemos. É um tipo de agrupamento social cuja estrutura em alguns aspectos varia no tempo e no espaço. Essa variação pode ser quanto ao número de casamentos, quanto á forma de casamento e quanto ao tipo de família e autoridade.
A família pode ser classificada em dois tipos básicos: família conjugal ou nuclear e família consangüínea ou extensa.
Família conjugal ou nuclear é o grupo que reúne o marido, a esposa e os filhos. Família consangüínea ou extensa é a que reúne, além do casal e seus filhos, outros parentes, como avós, netos, genros e noras.
Podemos citar como funções principais da família: função sexual, reprodutiva, econômica e educacional. As duas primeiras garantem a satisfação das necessidades sexuais dos cônjuges e perpetuam, pelo nascimento dos filhos, a espécie humana. A função econômica assegura os meios de subsistência e bem-estar. A função educacional é responsável pela transmissão á criança dos valores e padrões culturais da sociedade. A família é a primeira agência que socializa a criança.

Autoridade ® Quanto á autoridade, a família pode ser:

- Patriarcal – se a figura central é o pai, possui autoridade de chefe sobre a mulher e os filhos.
- Matriarcal – em que a figura central é a mãe, havendo, portanto predominância da autoridade feminina.
- Nuclear ou Igualitária – onde a autoridade pode ser mais equilibrada entre os cônjuges, dependendo das situações, ações ou questões particulares.

União e casamento
Nas sociedades, em geral, há duas formas de relações entre os sexos: união e casamento.
União consiste no ajuntamento de indivíduos de sexos opostos sob a influencia do impulso sexual.Os cônjuges são chamados de “amigados“, “amaciados”, etc...A união pode ser temporária, frouxa (com divorcio fácil), ou indissolúvel (sem divórcio, com ou sem desquite).
O Concubinato é um tipo de união. Consiste na união livremente consentida, estável e de fato, entre um homem e uma mulher, mas não sancionada pelo casamento. Pode ser legal ou não.
O Matrimônio ou casamento é o método de uma família elementar diferente daquela em que nasceu. Assim, em cada sociedade, um adulto, um normal pertence a duas famílias nucleares: a de orientação (onde nasceu) e a de procriação (que constituiu). Na primeira, ele é filho e irmão; na segunda, marido e pai.
O matrimonio cria novas relações sociais e direitos recíprocos entre os cônjuges e entre cada um deles e os parentes do outro. Estabelece, também, direitos e status dos filhos.
Modalidades de casamentos. Em relação ao numero de cônjuges, os casamentos podem ser monogâmicos ou poligâmicos.
A Monogamia consiste no casamento de um homem ou uma mulher com apenas um cônjuge, como ocorre na sociedade ocidental.
A Poligamia consiste no casamento do homem ou da mulher com dois ou mais cônjuges.

O aparelho ideológico da família
Queiramos ou não, a família recebe grande influência do modo de reprodução em que está inserida. As relações básicas duma sociedade irão influenciar. Direta ou indiretamente, a estrutura familiar.
No modo de reprodução capitalista, a família que não é consciente, que não se vigia, prepara os elementos para a produção, forma cidadãos de acordo com as necessidades do sistema.
No exame da maioria de nossas famílias percebe-se que elas reproduzem relações de poder da sociedade em que vivem.
As relações de dominação se estabelecem por dois critérios:

1- O critério de idade: quem é mais velho, pode mais e sabe mais.

2- O critério sexo: o homem manda mais que a mulher. Para os homens são permitidos certos comportamentos, certas regalias que de nenhuma maneira são permitidos a mulher. Dentro do processo de socialização primaria, o menino já é educado diferentemente, para ser “o chefe”, para decidir, tomar iniciativa. A menino vai cuidar das coisas de casa, vai “servir” ao marido, cuidar das crianças. Mais uma vez as diferenças sexuais servem para a reprodução das relações de dominação, pois quando se chegar ao trabalho, teremos novamente essas diferenças já consagradas e legitimadas. No trabalho, a mulher, como regra, vai receber menos, mesmo que faça o mesmo trabalho que o homem.

A Igreja
Todas as sociedades conhecem alguma forma de religião. A religião é um fato social universal, sendo encontrada em toda parte e deste os tempos mais remotos.
Cada povo tem sua cultura própria, tem o culto ao sobrenatural como motivo de estabilidade social e de obediência ás normas sociais. O homem procura algo sobrenatural que lhe transmita paz de espírito e segurança. A religião sempre desempenha uma função social indispensável. Geralmente, todos se unem numa comunidade espiritual chamada Igreja.

Formas de religião
 
Hinduísmo: O dogma básico é a transmigração; doutrina segundo a qual cada ato da alma tem efeitos permanentes sobre o seu destino: a alma reencarnará, como animal ou como homem, dependendo de seu comportamento.
Budismo: O budismo constitui-se numa série de regras e modos de vida cuja finalidade é purificar o individuo para alcançar o Nirvana, estado de transcendência espiritual, com desapego das coisas terrestres: significa vitória sobre a dor, a morte, a transmigração carmâmica e sobre a própria individualidade.
Confucionismo: As forças celestes, a terra e o homem formam um todo harmônico, determinado por duas forças cósmicas correspondentes e opostas. A idéia de Deus aparece principalmente como um princípio cósmico imaterial. Confúcio criou uma série de práticas morais e regras de conduta social.
Misto de filosofia e religião, o confucionismo fundamenta-se no culto aos antepassados e ao lar.
Judaísmo: Há uma esperança de salvação da humanidade após a vinda do Messias. É uma doutrina revelada pelos profetas, sendo Moises o maior deles. Para os judeus, os livros sagrados são: o Pentateuco, os Profetas e os Escritos Sagrados (denominados pela Igreja Cristã de Antigo Testamento).
Cristianismo: A base da teologia cristã é a crença em um Deus único, que subsiste em três pessoas (Pai, Filho, e Espírito Santo). A salvação a humanidade foi alcançada pelo sacrifício de cristo que é revivido pela celebração da igreja.
 Islamismo: Juntamente com o Judaísmo e o Cristianismo, o Islamismo forma as três grandes religiões monoteísta.A principal profissão de fé do maometismo é a existência de um Deus supratemporal chamado Alá, do qual Maomé é o profeta. O livro sagrado denomina-se Corão e contém preceitos religiosos, concepção de vida e normas de comportamento. Meca é a cidade sagrada, á qual, se possível, cada crente deve fazer peregrinação, ao menos uma vez na vida.

O aparelho ideológico das Igrejas

A religião como superestrutura. A religião é superestrutura quando se torna um conjunto de mediações simbólicas e gestos rituais, quando se torna doutrina explicativa do mundo, a serviço de nações e impérios.
A religião infra-estrutura: a essência da religião infra-estrutura é o reconhecimento da relatividade das coisas, do criado. Ela não se situa na instância ideológica, mas é posição, atitude, práxis. Ela é utópica, é uma posição de antecipação criadora e de crítica ao presente.
 
O Estado
O Estado é a instituição social que tem a exclusividade, o monopólio da violência legítima; e assim é porque a lei lhe confere o direito de recorrer á violência, caso isso seja necessário.
O poder e a autoridade centralizam-se de maneira mais clara no Estado. Desse modo, o Estado é uma das agências mais importantes de controle social; o Estado executa suas funções por meio da lei, apoiado em ultima instância no uso da força.



O Estado constitui-se de quatro elementos:
 
território – é a base física do Estado, sobre a qual exerce sua jurisdição;

população – é composta pelos habitantes do território;

governo – é o grupo de pessoas colocadas á frente dos órgãos fundamentais do Estado e que seu nome exercem o poder público.

Constituição – onde está expresso as leis e demais normas de convivência social. (pode ser escrita ou não)

 

Estado, nação e governo

Estado é diferente de nação. A nação é um conjunto de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de idioma, religião, valores. O Estado é, portanto, a nação com um governo. Porém, estado é diferente de governo. Estado é uma instituição social permanente e governo é um elemento transitório do Estado.

O Estado pode ter as seguintes formas de governo:

- monarquia – o governo é exercido por uma só pessoa (o rei ), que herda o poder e o mantém até a morte ou renúncia;

- república – o poder é exercido por representantes eleitos periodicamente pela população;

- ditadura – uma só pessoa – o ditador – impõe a sua vontade e dispõe de poder ilimitado.


Funções do Estado

Nas sociedades modernas pode-se dizer que cabe ao Estado três finalidades:

- garantir a soberania – manter a ordem interna e a segurança externa, a integridade territorial e o poder da decisão;

- manter a ordem – as leis estabelecem o que deve ou não ser feito, o que pode ser feito, e prescrevem as punições por sua violação. O Estado é a instituição autorizada a decretar, impor, administrar e interpretar as leis na sociedade moderna;

-promover o bem-estar social – propiciar a população de um Estado a ordem interna e externa, a paz, o respeito as leis, promovendo á justiça, dispor de meios suficientes para atender as necessidades humanas em seus diferentes aspectos: físico, moral, espiritual, psicológico e cultural; manter a ordem social, através de leis existentes ou redigindo novas, que reajustam a própria ordem, quando as condições de mudanças o exigirem.
 

 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Indivíduo, Identidade e Socialização

A Sociologia trata o indivíduo como um produto social. Mas como explicar a ideia de individualidade?

Oriente e sociedades indígenas: Os indivíduos são elementos indissociáveis da sociedade;

Europa: A consolidação do capitalismo reforçou a ideia de que os indivíduos são autônomos;

DURKHEIM (1858-1917) – A sociedade prevalece sobre o indivíduo!
--> Fatos Sociais: Regras coletivas que orientam a vida dos indivíduos em sociedade.

Exteriores: Padrões de comportamento criados pela coletividade;
Coercitivos: Os padrões de comportamento devem ser seguidos pelos membros da sociedade, com punição em caso de desobediência;
Gerais: Comum a todos do grupo;

WEBER (1864-1920) – Sociedade como um conjunto de ações individuais!
--> Ação Social: Só existe quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, com base em suas ações, com os demais!

São quatro os tipos de ação social:

Tradicional – Determinada pelo costume;
Afetiva – Determinada pela emoção;
Racional (com relação a valores) – Orientada pela crença em um valor importante
Racional (com relação a fins) – Determinada pela finalidade; para obter o resultado necessário;

MARX (1818-1883) – A relação entre indivíduos e sociedade só podem ser estudadas em conjunto com as condições matérias (materialismo histórico)!
Os homens estabelecem relações sociais entre si para utilizarem os meios de produção e transformarem a natureza;

--> Luta de Classes: Motor da História!

Capitalistas: Detentores dos meios de produção;
Proletariado: Detentores de sua força de trabalho;


1- De que se ocupam as Ciências Sociais? Pesquisam e estudam o comportamento social humano e suas várias formas de organização.

2- O que é Ciência? Podemos dizer que a Ciência é uma forma de conhecimento, sendo que conhecer é o ato de explicar (atribuir significado) ou organizar logicamente (razão) um fato, um objeto, uma atuação e etc.

3- Método usado pelas Ciências Sociais: Investigação científica.

4- O objeto das Ciências Sociais é o ser humano em suas relações sociais. Seu objetivo, ampliar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais.

5- Divisão das Ciências Sociais: Sociologia -relações sociais; Antropologia -culturas humanas; Política -distribuição de poder; economia – relações econômicas.

6- Origem da Sociologia: A Sociologia estuda a formação da Sociedade Moderna. Esta ciência começou a surgir a partir do século XV, por causa das transformações que acabaram por trocar o feudalismo pelo capitalismo.

Conceitos Básicos de Sociologia

Contatos sociais

O contato social é a base da vida social. É importantíssimo para que haja a interação entre os indivíduos. A forma pela qual as pessoas se relacionam pode ser dividida em dois grupos: primário e secundário.
Primários - Contatos pessoais diretos. Forte base emocional. Os relacionamentos são íntimos e duradouros, envolvendo toda a personalidade. São exemplos de grupos sociais primários: círculo de amigos íntimos, família, pequenas comunidades.
Secundários - São os contatos impessoais, formais, decorrem apenas dos interesses utilitários do momento. São exemplos de grupos sociais secundários: sociedades urbanas, negociação de pessoas em lojas e bancos.
Contexto Industrialização / urbanização predomina contatos secundários. Proximidade física não significa necessariamente proximidade afetiva.

Isolamento social
Caracterizado pela ausência dos contatos sociais (atitudes de ordem social e atitudes de ordem individual ).
O isolamento é uma anomalia na vida social.Ninguém é feliz sozinho, porque o ser humano é um ser social e necessita da proteção do seu grupo. Sentir-se bem ou mal na vida, depende, em grande parte, da capacidade de convivência com as pessoas que nos rodeiam. O ser humano isolado de seus semelhantes, é incapaz de desenvolver suas potencialidades intelectuais e torna-se selvagem como um animal.

Interação social
O simples contato não é suficiente para que haja interação social. É preciso que haja mudança do comportamento dos indivíduos envolvidos como resultado do contato e da comunicação que se estabelece.
A interação social pode assumir formas diferentes, chamadas relações sociais, as quais vão se ampliando a partir da infância: membros da família, companheiros de rua, colegas de escola, professores, colegas de trabalho.
As relações sociais podem assumir vários níveis e ser classificadas em:
Superficiais: contato limitado com outra pessoa, por meio de um olhar, um sinal, uma simples troca de informação.
Humanas: solidariedade entre os indivíduos, para que haja preservação da vida e da dignidade humana.
Afetivas: requer conhecimento mútuo entre os indivíduos, um relacionamento prazeroso, no plano da amizade.
Profundas: relacionamentos mais profundos quanto aos sentimentos.

Processos Sociais
Diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros. A forma como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais.
Processos sociais - são diferentes formas de interação. Interação é processo social geral.
Ação entre dois ou mais agentes contribuindo para aproximá-los ou afastá-los.
* Cooperação
Não pode haver sistema social sem um mínimo de cooperação. Muitas vezes não há clareza dos processos sociais cooperativos.
É a forma de interação na qual diferentes pessoas, grupos ou comunidades trabalham juntos para um mesmo fim.
Cooperação Þ consenso a respeito de metas culturalmente legítimas, valores, crenças e normas coletivas.
Cooperação nem sempre o consenso está presente. Pode resultar da existência de interesses e objetivos diferentes, mas complementares. Ex: classes sociais
“Cooperação existe quando a troca resulta satisfatória para ambas as partes”
* Acomodação
È o processo social em que o indivíduo, grupos ou categorias em interação não compartilham metas, crenças, atitudes e padrões de comportamento, mas convivem pacificamente. Para evitar o conflito as categorias sociais minoritárias simulam um comportamento que não corresponde ao seu acervo sociocultural.
Não há uma transformação de pensamento, sentimentos e atitudes. Mudanças são exteriores, manifestam apenas enquanto comportamento social.
Ajustamento de indivíduos ou grupos apenas nos aspectos externos do seu comportamento.
* Assimilação
É o processo através do qual indivíduos, grupos ou categorias de culturas diferentes permutam os seus respectivos acervos/bagagem culturais .
EX: Miscigenação. Conversão
Implica transformações internas nos indivíduos. Envolvem mudanças na maneira de pensar, de sentir e agir.
* Competição
Ocorre quando vários indivíduos buscam alcançar um objetivo que pode ser alcançado por todos ou pela sua maioria. A competição muitas vezes leva a desunião de pessoas que se relacionam entre si, acarretando conflitos e desestímulos. Muitas vezes, a competição torna-se luta pela sobrevivência, como adquirir alimentos, abrigo, emprego. Em uma competição, o objetivo maior é tentar superar os adversários.
* Conflito
Geralmente ocorre quando indivíduos, grupos ou categorias sociais tem interesse ou objetivos incompatíveis entre si.
Inibição do conflito
Þ dominação das categorias detentoras de maior participação no processo de distribuição social da riqueza e do poder
Þ nível suficiente de satisfação no processo de troca entre categorias sociais com interesses distintos
Tipos de conflitos: étnicos, terra, religiosos, políticos.

Competiçao
Conflito
forma de luta pela sobrevivência,
forma de rivalidade
pacifica, inconsciente, impessoal
disputa, guerra, violência
consciente, pessoal


Socialização
Processo pelo qual o individuo assimila os valores, normas e as expectativas sociais de uma sociedade ou grupo.
Responsável por desenvolver nos membros de uma sociedade, gostos, idéias, e sentimentos correspondentes a cultura do grupo social no qual esses indivíduos vão viver
Grupos
Conjunto de indivíduos que agem de maneira coordenada, auto-referida ou recíproca.
Condições necessárias Þ contato contínuo, objetivos e interesses comuns.
Condições suficientes Þ estabilidade nas relações interpessoais e sentimentos partilhados de pertencer a uma mesma unidade social.
Agregados
São unidades sociais cuja existência depende da proximidade física entre os seus componentes individuais.. Desfeita a proximidade física o agregado já não existe . Ex: auditório, manifestação pública, o agregado residencial, a turba.
Categorias
São constituídas por indivíduos que possuam uma ou mais características comuns, porém separadas fisicamente.
Ex: categoria religiosa – filiados a religião católica no Brasil estão dispersos em todo o território brasileiro.
Conjunto de indivíduos que pertencem a uma categoria não forma necessariamente uma coletividade autoconsciente. Características definidoras de uma categoria depende do arbítrio de quem a elabora.

domingo, 21 de agosto de 2011

Conhecimento do Senso Comum e Conhecimento Científico

TEXTO - SENSO COMUM E CONHECIMENTO CIENTÍFICO


SENSO COMUM
No seu dia-a-dia, o homem adquire espontaneamente um modo de entender e atuar sobre a realidade. Algumas pessoas, por exemplo, não passam por baixo de escadas, porque acreditam que dá azar; se quebrarem um espelho, sete anos de azar. Algumas confeiteiras sabem que o forno não pode ser aberto enquanto o bolo está assando, senão ele "embatuma", sabem também que a determinados pratos, feitos em banho-maria, devem-se acrescentar umas gotas de vinagre ou de limão para que a vasilha de alumínio não fique escura. Como aprenderam estas informações? Elas foram sendo passadas de geração a geração. Elas não só foram assimiladas mas também transformadas, contribuindo assim para a compreensão da realidade. Assim, se o conhecimento é produto de uma prática que se faz social e historicamente, todas as explicações para a vida, para as regras de comportamento social, para o trabalho, para os fenômenos da natureza, etc., passam a fazer parte das explicações para tudo o que observamos e experienciamos. Todos estes elementos são assimilados ou transformados de forma espontânea. Por isso, raramente há questionamentos sobre outras possibilidades de explicações para a realidade. Acostumamo-nos a uma determinada compreensão de mundo e não mais questionamos; tornamo-nos "conformistas de algum conformismo". São inúmeros os exemplos presentes na vida social, construídos pelo "ouvi dizer", que formam uma visão de mundo fragmentada e assistemática. Mesmo assim, é uma forma usada pelo homem para tentar resolver seus problemas da vida cotidiana. Isso tudo é denominado de senso comum ou conhecimento espontâneo. Portanto, podemos dizer que o senso comum é o conhecimento acumulado pelos homens, de forma empírica, porque se baseia apenas na experiência cotidiana, sem se preocupar com o rigor que a experiência científica exige e sem questionar os problemas colocados justamente pelo cotidiano. Portanto, é também um saber ingênuo uma vez que não possui uma postura crítica. "Em geral, as pessoas percebem que existe uma diferença entre o conhecimento do homem do povo, às vezes até cheio de experiências, mas que não estudou, e o conhecimento daquele que estudou determinado assunto. E a diferença é que o conhecimento do homem do povo foi adquirido espontaneamente, sem muita preocupação com método, com crítica ou com sistematização. Ao passo que o conhecimento daquele que estudou algo foi obtido com esforço, usando-se um método, uma crítica mais pensada e uma organização mais elaborada dos conhecimentos."(LARA, p 56, 1983). Porém, é importante destacar que o senso comum é uma forma válida de conhecimento, pois o homem precisa dele para encaminhar, resolver ou superar suas necessidades do dia-a-dia. Os pais, por exemplo, educam seus filhos mesmo não sendo psicólogos ou pedagogos, e nem sempre os filhos de pedagogos ou psicólogos são melhor educados. O senso comum é ainda subjetivo ao permitir a expressão de sentimentos, opiniões e de valores pessoais quando observamos as coisas à nossa volta. Por exemplo: a) se uma determinada pessoa não nos agrada, mesmo que ela tenha um grande valor profissional, torna-se difícil reconhecer este valor. Neste caso, a antipatia por esta determinada pessoa nos impede de reconhecer a sua capacidade;b) os hindus consideram a vaca um animal sagrado, enquanto nós, ocidentais, concebemos este animal apenas como um fornecedor de carne, leite, etc. Por essa razão os consideramos ignorantes e ridículos, pois tendemos a julgar os povos, que possuem uma cultura diferente da nossa, a partir do nosso entendimento valorativo.Levando-se em conta a reflexão feita até aqui, podemos considerar o senso comum como sendo uma visão de mundo precária e fragmentada. Mesmo possuindo o seu valor enquanto processo de construção do conhecimento, ele deve ser superado por um conhecimento que o incorpore, que se estenda a uma concepção crítica e coerente4 e que possibilite, até mesmo, o acesso a um saber mais elaborado, como as ciências sociais.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Os Gregos, na antigüidade, buscavam através do uso da razão, a superação do mito ou do saber comum. O avanço na produção do conhecimento, conseguido por esses pensadores, foi estabelecer vínculo entre ciência e pensamento sistematizado (filosofia, sociologia...), que perdurou até o início da Idade Moderna. A partir daí, as relações dos homens tornaram-se mais complexas bem como toda a forma de produzir a sua sobrevivência. Gradativamente, houve um avanço técnico e científico, como a utilização da pólvora, a invenção da imprensa, a Física de Newton, a Astronomia de Galileu, etc. Foi no início do século XVII, quando o mundo europeu passava por profundas transformações, que o homem se tornou o centro da natureza (antropocentrismo). Acompanhando o movimento histórico, ele mudou toda a estrutura do pensamento e rompeu com as concepções de Aristóteles, ainda vigentes e defendidas pela Igreja, segundo as quais tudo era hierarquizado e imóvel, desde as instituições e até mesmo o planeta Terra. O homem passou, então, a ver a natureza como objeto de sua ação e de seu conhecimento, podendo nela interferir. Portanto, podia formular hipóteses e experimentá-las para verificar a sua veracidade, superando assim as explicações metafísicas e teológicas que até então predominavam. O mundo imóvel foi substituído por um universo aberto e infinito, ligado a uma unidade de leis. Era o nascimento da ciência enquanto um objeto específico de investigação, com um método próprio para o controle da produção do conhecimento.Portanto, podemos afirmar que o conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade, pois tem apenas trezentos anos. Ele transformou-se numa prática constante, procurando afastar crenças supersticiosas e ignorância, através de métodos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático, preciso e objetivo que garanta prever acontecimento e agir de forma mais segura. Sendo assim, o que diferencia o senso comum do conhecimento científico é o rigor. Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a preconceitos e a tradições conservadoras, a ciência preocupa-se com as pesquisas sistemáticas que produzam teorias que revelem a verdade sobre a realidade, uma vez que a ciência produz o conhecimento a partir da razão. Desta forma, o cientista, para realizar uma pesquisa e torná-la científica, deve seguir determinados passos. Em primeiro lugar, o pesquisador deve estar motivado a resolver uma determinada situação-problema que, normalmente, é seguida , por algumas hipóteses. Usando sua criatividade, o pesquisador deve observar os fatos, coletar dados e então testar suas hipóteses, que poderão se transformar em leis e, posteriormente, ser incorporadas às teorias que possam explicar e prever os fenômenos. Porém, é fundamental registrar que a ciência não é somente acumulação de verdades prontas e acabadas. Neste caso, estaríamos refletindo sobre cientificismo e não ciência, mas tê-la como um campo sempre aberto às novas concepções e contestações sem perder de vista os dados, o rigor e a coerência e aceitando, que, o que prova que uma teoria é científica é o fato de ela ser falível e aceitar ser refutada.

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO PARA AUGUSTE COMTE
Para Comte, o conhecimento científico é baseado na observação dos fatos e nas relações entre fatos que são estabelecidas pelo raciocínio. Estas relações excluem tentativas de descobrir a origem, ou uma causa subjacente aos fenômenos, e são, na verdade, a descrição das leis que os regem. Comte afirma: "Nossas pesquisas positivas devem essencialmente reduzir-se, em todos os gêneros, à apreciação sistemática daquilo que é, renunciando a descobrir sua primeira origem e seu destino final". O conhecimento científico positivo, que estabelece as leis que regem os fenômenos de forma a refletir o modo como tais leis operam na natureza, tem, para Comte, ainda, duas características: é um conhecimento sempre certo, não se admitindo conjecturas, e é um conhecimento que sempre tem algum grau de precisão. Assim, Comte reforça a noção de que o conhecimento científico é um conhecimento que não admite dúvidas e indeterminações e desvincula-o de todo conhecimento especulativo. "Se, conforme a explicação precedente, as diversas ciências devem necessariamente apresentar uma precisão muito desigual, não resulta daí, de modo algum, sua certeza. Cada uma pode oferecer resultados tão certos como qualquer outra, desde que saiba encerrar suas conclusões no grau de precisão que os fenômenos correspondentes comportam, condição nem sempre fácil de cumprir. Numa ciência qualquer, tudo o que é simplesmente conjectural é apenas mais ou menos provável, não está aí seu domínio essencial; tudo o que é positivo. isto é, fundado em fatos bem constatados, é certo - não há distinção a esse respeito".

CIÊNCIA E VIDA
O termo ciência vem do latim, scientia, de sciens, conhecimento, sabedoria. É um corpo de doutrina, organizado metodicamente que constitui uma área do saber e é relativo a determinado objeto. O que caracteriza cada ciência é seu objeto formal, ou seja, a coisa observada, porém, o desdobramento dos objetos do saber científico caminhou progressivamente para a especialização das ciências (ato que marcou sobremaneira o século XIX com o advento da técnica e da industrialização). Isto culminaria na perda da visão totalitária do se4r e na sua conseqüente fragmentação. O saber científico necessita de objetividade, na busca da verdade, e também deve possuir método próprio, responsável pelo cumprimento de um plano para a observação e a verificação de qualquer matéria. Entretanto, esse caráter objetivo da ciência, que corresponde aos dados e variáveis coletados, traz consigo uma gama irrestrita de pensamentos, teorias e paradigmas que nos remete para a reflexão bioantropológica do conhecimento, bem como para a reflexão das teorias nos aspectos culturais, sociais e históricos. Não se pode perder de vista que o cientista que investiga as ciências é um ser humano falível e é preciso que as ciências se questionem acerca de suas estruturas ideológicas. Nesse contexto, a questão "O que é ciência?" ainda não conta com uma resposta científica, considerando que todas as ciências, incluindo as físicas e biológicas, são também sociais. Portanto, têm origem, enraizamento e componente biofísico, o que seu campo de estudo procura renegar, na tentativa de expressar, através de sua especialização, a estrutura do pensamento linear do conhecimento científico. Ou seja, a ciência, com suas teorias e metodologias "salvadoras", não dispõe da habilidade de refletir-se para o autoconhecimento. Dessa forma, não é científico tentar definir as fronteiras da ciência. Não é científico, porque não é seguro, e qualquer pretensão em fazê-lo tornar-se-ia irresponsável.

Fonte: PALESTRA - RENATO RODRIGUES disponível em: http://www.sle.br/



O Surgimento da Sociologia

A Sociologia surgiu através da tentativa de Augusto Comte (1798 – 1857) em unificar vários estudos relativos às ciências humanas em apenas um só. A linha de pensamento de Comte é denominada positivismo. O positivismo se baseou no afastamento radical da teologia ou metafísica da existência humana, afirmando que toda a vida humana tinha passado pelas mesmas fases históricas distintas e que, se o indivíduo pudesse compreender este progresso, poderia resolver os problemas sociais.

Embora a sociologia tenha surgido a partir da tentativa intelectual de Comte, foi só no século XIX com o aparecimento dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial, que a sociologia tomou proporção, surgindo como a ciência responsável para solucionar esses problemas.


No século XVIII, a Europa vivia um dos mais importantes momentos de sua história. A Revolução Francesa e Industrial provocaram mudanças que até hoje são refletidas na nossa geração. Toda conjuntura política, econômica e cultural passava por modificações: os novos métodos de produção geravam o aumento da produtividade e vários trabalhadores foram substituídos por máquinas. Além disso, ocorria o intenso êxodo rural, ocasionando uma explosão demográfica e conseqüentemente, uma falta de infra-estrutura capaz de comportar esses excedentes populacionais. A falta de empregos aliada à falta de infra-estrutura levou a um relativo estado de caos social: aumento da miséria, fome, criminalidade, doenças, prostituição, suicídio, etc.

De certa forma, a sociologia surgiu como uma resposta intelectual para tentar analisar, explicar e melhorar essa nova estruturação, sobretudo social, que o mundo vivia. Portanto, sociologia é a ciência que, através de seus métodos de investigação científica, estuda o comportamento humano perante seu meio social e busca compreender as estruturas e as relações da sociedade.